Reflexão

 

A título de reflexão, transcrevemos a obra poética da Domadora Neusa Mesquita Lara, publicada em seu livro “Poemas de Neusa”, edição do autor – Divinópolis/2012, pag. 36/7.

 

“Preocupada com os contrastes da vida, faz aqui um desabafo, contristada com a situação de penúria em que vivem os deserdados da sorte, como o João-da-Lata (com esse apelido, por morar num casebre feito de latas desamassadas) e a Raimunda, com seus 27 quilos e quatro filhos maltrapilhos.

 

DESABAFO

 

Se a sorte grande me sorrisse,

Tão logo compraria

No morro bem lá de cima

Uma casa de tijolos

Para o João que mora somente

Numa simples casa de latas.

Trocaria, quem sabe, seu cachorro vira-lata

Por um belo cão policial, pura raça!

Com tanto ouro, tanta prata por aí

E lá no João tudo é de lata…

Para a Raimunda humílima,

Com seus vinte e sete quilinhos,

Mas mãe de quatro filhos

Que o marido abandonou

Assim, tão simplesmente,

Compraria seu cantinho…

É quando me questiono que não tenho

Dela em mim um pedacinho…

É que está sempre feliz,

Mais que muita gente e tanta gente,

Sofrendo, sofre sorrindo! decididamente

Aguarda-a o céu eternamente.”

 

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